O ser humano é o único ser que pergunta por que existe. Em cada época, sob diferentes formas, ele tenta compreender o sentido da vida e o destino de sua alma. Para Eliade, essa busca é o sinal mais claro de que o homem é, por essência, um ser religioso. Mesmo quando nega a fé ou se afasta dos templos, ele continua em peregrinação interior. O sagrado é uma necessidade da alma, e não um luxo da tradição. A ausência de fé não é libertação, é solidão diante do mistério.
O homem religioso, segundo Eliade, é aquele que reconhece que o mundo não é apenas matéria, mas revelação. Ele vive em diálogo com o invisível, buscando compreender o que há além das aparências. O homem profano, por outro lado, vive imerso na superfície, prisioneiro do imediato. A diferença não está no lugar onde vivem, mas na maneira de olhar. O homem religioso vê o universo como templo; o profano o vê como cenário. Um vive em relação, o outro em distração. O sagrado não é o que se impõe de fora, mas o que desperta dentro.
Essa busca de sentido é o que move a humanidade desde o início. O mito, o rito e a oração são expressões de um mesmo desejo: encontrar o lugar do homem dentro da ordem divina. Para Eliade, o homem religioso é o herdeiro da cosmovisão antiga, aquele que sabe que existe um centro, um eixo, um sentido. Ele não aceita viver em um universo sem ordem, e por isso cria símbolos, constrói templos, acende velas e entoa cânticos. Essas ações não são superstição, mas tentativas de reconectar-se com o real. O rito devolve sentido à vida porque o reintegra ao cosmos.
A Umbanda é o espaço onde essa busca encontra resposta. No terreiro, o homem reencontra a presença divina que o habita. O médium, ao incorporar, representa a alma humana que se entrega à voz do espírito. O consulente, ao entrar, simboliza a criatura que retorna à casa do Pai. O preto-velho, o caboclo, o erê e o exu não são figuras isoladas, mas expressões do próprio homem em seus diferentes estágios de consciência. Cada atendimento é um encontro entre a criatura e o Criador. A caridade é o gesto que traduz o sentido da existência: servir é viver o sagrado em ato.
O homem moderno acredita dominar o mundo, mas continua sentindo o vazio que nenhuma conquista preenche. Eliade percebeu que esse vazio é a ausência do sagrado, o esquecimento da dimensão interior. A espiritualidade, quando vivida com sinceridade, devolve ao homem a consciência de que ele é parte de um todo. A Umbanda ensina que o verdadeiro progresso não é técnico, é moral e espiritual. O homem religioso é aquele que desperta para a fraternidade universal e entende que toda vida é manifestação de Deus.
A busca do sentido é a busca de Deus em nós. Quando o homem redescobre o sagrado, o medo se dissolve, a culpa se transforma em aprendizado e a dor se converte em luz. O caminho da fé não elimina o sofrimento, mas o purifica, revelando nele uma oportunidade de crescimento. O homem religioso não foge da vida, ele a santifica.





